Composição Corporal por DXA

Os métodos de avaliação disponíveis para análise da composição corporal são o índice de massa corporal da Organização Mundial da Saúde (IMC); a medida das pregas cutâneas; a bioimpedância; a hidrodensitometria, e mais recentemente a DXA.

A avaliação corporal por DXA é um exame de diagnóstico por imagem que utiliza o DXA (raio-x de dupla energia). Pode ser realizado em adultos e crianças por utilizar uma insignificante dose de radiação. É uma técnica avançada e precisa enquanto método científico, para avaliação da composição corporal (massa muscular, massa gordurosa, gordura visceral e massa óssea).

A principal limitação do IMC, que é obtido pela divisão do peso pela altura elevada ao quadrado, reside no fato que ela não separa as quantidades de massa gorda da massa magra. Então na avaliação de atletas de alto nível, podem ser obtidas classificações de sobrepeso, ou até obesidade, quando na verdade a maior quantidade de massa desse tipo de pessoa é de massa muscular.

A medida das pregas subcutâneas parte do principio que 1/3 da gordura se localiza no subcutâneo, porém existem variações dependendo de idade, sexo.

A avaliação por DXA (aparelho semelhante ao da densitometria óssea) em nossa clínica é realizada por técnicos em radiologia com treinamento extensivo, aliado a aparelho moderno e recursos de softwares adequados para essa análise. O exame dura cerca de 20 minutos, começa com a mensuração do peso e da altura do paciente (calcula-se o IMC), utiliza dose extremamente baixa de radiação, estando apenas contra-indicada em gestantes. Deve ser realizado pelo menos 3 horas após a última refeição.

Fornece dados detalhados sobre os percentuais de gordura e massa muscular nos membros e tronco.

 

Como funciona?

Passo 1:
Fluxo de fotons não atenuados é gravado para cada nível energético antes da varredura do pacientee gravado no computador. Primeiraslinhas de exame (baseline).

Passo2:
O paciente começa a ser escaneado. A atenuação do fluxo de fotons é gravado pixel a pixel para os dois níveis energéticos.

Passo3 :
Os valores resultantes são colocados em equações para densida de óssea e tecido mole.

Passo 4:
A atenuação para pixels contendo osso e tecido mole é corrigida e o tecido mole que fica sobre os ossos é considerado como de mesma composição ao que fica ao redor dos ossos.

Passo 5:
Separando tecido gorduroso do muscular: através da curva de
calibração que transforma cada R value em percentual de gordura . Os R values para gordura e músculo puros são estabelecidos pela calibração de fantons contendo estes materiais.

 

Avaliações

Para a maioria dos equipamentos DXA no mercado atualmente, o tamanho corporal (superior a 185cm de altura) e o peso (acima de 120kg) continuam a ser limitantes para esse tipo de exame. No último ano, equipamentos com mesas de exame maiores (iDXA e Discovery A), tornaram possível a análise de pacientes de até 210kg.

Medidas acuradas e precisas da composição corporal são de grande utilidade na compreensão da fisiologia do metabolismo energético humano, em diferentes condições clínicas e na programação de intervenções terapêuticas.

Muitas doenças afetam o tecido ósseo e o tecido mole de maneira simultânea. A compreensão do paciente como um todo é relevante nesses casos.

Estão inseridas no campo de aplicação da Composição Corporal por DXA: as desordens nutricionais,obesidade e anorexia nervosa, com as síndromes plurimetabólicas correlatas, levando à maior risco cardiovascular; as doenças gastrointestinais inflamatórias como Chron, retocolite ulcerativa e doença celíaca, cursando com distúrbios disabsortivos e ma nutrição; as doenças renais crônicas nas quais a desnutrição é a maior causa de elevação no índice de morbidade e mortalidade; as doenças endócrinas como por exemplo a deficiência de GH (hormônio do crescimento), onde os pacientes evoluem com aumento do percentual de massa gordurosa em detrimento da massa muscular; o uso de algumas drogas como os glicocorticóides, nutrição parenteral e suas implicações sobre a composição corporal; e por último, e de maneira muito importante, a avaliação da sarcopenia presente em inúmeros idosos levando à síndrome de fragilidade com grande morbidade e mortalidade para esse grupo de indivíduos.

Várias outras doenças, como diabetes mellitus, SIDA, distrofias musculares progressivas, e outras, onde o desequilíbrio entre os três grandes compartimentos se impõe, podem beneficiar-se de uma avaliação pelo DXA. O advento da avaliação da composição corporal pelo DXA, exame com baixo grau de radiação, pouco dependente do operador, não invasivo, tem permitido inúmeros avanços na compreensão e manuseio clínico desses pacientes.

Em pacientes portadores de doenças crônicas, a disponibilidade dessa avaliação pode propiciar informações sobre a história natural da doença, determinar o suporte nutricional adequado durante a progressão da doença e, de maneira mais importante, monitorar a resposta terapêutica desses pacientes às intervenções implementadas.